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» Como tudo começou
A crença na sobrevivência do espírito
após a morte do corpo físico e o princípio da reencarnação são as bases da
doutrina conhecida como espiritismo, movimento religioso que surgiu na França e
se expandiu pelo mundo, notadamente no Brasil.
O espiritismo como doutrina surgiu a
partir da publicação, na França, de Le Livre des esprits (1857; O livro dos
espíritos), de Allan Kardec, pseudônimo do professor Hippolyte Léon Denizard
Rivail. Considerado a obra básica do espiritismo, o livro de Kardec codificava a
doutrina espírita, que se resume em cinco pontos: (1) existência de Deus, como
inteligência cósmica responsável pela criação e manutenção do universo; (2)
existência da alma ou espírito, envolvido pelo perispírito, que conserva a
memória mesmo após a morte e assegura a identidade individual de cada pessoa;
(3) lei da reencarnação, pela qual todas as criaturas retornam à vida terrena e
vão, sucessivamente, evoluindo no plano intelectual e moral, enquanto expiam os
erros do passado; (4) lei da pluralidade dos mundos, isto é, da existência de
vários planos habitados, que oferecem um âmbito universal para a evolução do
espírito; (5) lei do carma ou da causalidade moral, pela qual se interligam as
vidas sucessivas do espírito, dando-lhe destino condizente com os atos
praticados.
A doutrina espírita não tem altares,
cultos, sacerdotes ou rituais e não combate as outras religiões. Afirma que
todos serão salvos, embora uns o sejam antes de outros, de acordo com a evolução
do espírito nas sucessivas encarnações. Seus preceitos morais pregam o amor ao
próximo e a Deus, a caridade e o progresso contínuo do espírito humano.
As manifestações extra-sensoriais ou
de paranormalidade estão intimamente associadas ao espiritismo. A referência
mais antiga encontra-se no Velho Testamento, com o relato da visita de Saul à
pitonisa ou médium de Endor, que materializou a presença do profeta Samuel (I
Sam 28:7-19).
O fenômeno que determinou o
surgimento do espiritismo moderno ocorreu em 1848, na pequena cidade de
Hydesville, no estado americano de Nova York. Na casa da família metodista de
John D. Fox, ouviam-se com freqüência fortes pancadas nas paredes e no teto do
quarto das meninas Katherine e Margaretha. A primeira, aos nove anos de idade,
resolveu desafiar o invisível a reproduzir as pancadas que ela mesma daria. A
prontidão das respostas - vindas do espírito de um homem que teria sido
assassinado naquela casa - marcou o início da comunicação com os mortos. Foi
nessa época que proliferaram, a princípio nos elegantes salões europeus, as
chamadas mesas falantes ou giratórias.
Muitos cientistas pesquisaram e
reconheceram a autenticidade dos fenômenos espíritas. Na Inglaterra, os mais
importantes foram Frederick William Henry Myers, fundador da Sociedade para a
Pesquisa Psíquica; os físicos William Crookes e Oliver Lodge e o biólogo Alfred
Russell Wallace. Na França, além de Kardec, destacaram-se Camille Flammarion e o
fisiólogo Charles Richet; na Itália, o criminólogo Cesare Lombroso e o astrônomo
Giovanni Schiaparelli; na Alemanha, o astrofísico Karl Friedrich Zöllner e o
médico Albert von Schrenck-Notzing.
A mediunidade é um fenômeno
importantíssimo, dentro do espiritismo. É uma faculdade por meio da qual o
médium - pessoa dotada de elevada capacidade de percepção extra-sensorial -
manifesta os mais diversos dotes, como vidência, clarividência, clariaudiência,
levitação, telecinesia (movimentação e/ou transporte de objetos), psicografia,
emissão de ectoplasma, curas e outros
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